A caneca marrom, o porco e a rosa, a coragem e a sensibilidade

Eu escrevi muitos textos na minha cabeça nos últimos anos, textos sobre o casamento, sobre ter filhos, sobre realização profissional, sobre amizades que se foram e que depois voltaram e já foram de novo.

Eu escrevi mentalmente sobre milhões de coisas, mas algo estranho começou a acontecer. Toda vez que escrevia (mentalmente) chegava a conclusão que meus pensamentos seriam cruelmente aniquilados. Como assim?

Bem, como toda situação tem milhões de interpretações, isso me impediu de dizer publicamente o que penso, porque poderia, de certa forma, estar errada.

Por exemplo, tem uma caneca marrom na minha mesa. Mas para outras pessoas ela pode parecer verde, mas para mim é marrom. Mas eu não estou com vontade de convencer ninguém sobre minhas convicções sobre a psicodinâmica das cores ou sobre qualquer coisa. Eu fiquei com preguiça e desanimada. Até para admitir que talvez ela fosse verde. (mas não é)

E o pior, eu fiquei aninhada no meu auto desinteresse. Puxa, ninguém quer saber que eu acho a caneca marrom, ninguém quer tomar café nessa caneca marrom também, então eu vou deixar ela aqui cheia de canetas que não escrevem mais.

Entendedores, entenderão.

Minha irmã está escrevendo um livro e hoje falando com ela pensei muito nisso. Pensei que precisamos ser corajosos para alcançar nossos sonhos e realizar nossos projetos. Pensei que as críticas, questionamentos e desmotivações sempre vão existir, sempre existiram…

E agora acabo de lembrar de uma história que nosso pai sempre nos contava. Ele me perguntava se eu achava a rosa bonita  (a flor!), eu dizia: sim! Daí ele me perguntava se alguma vez eu tinha visto ou ouvido falar de um porco admirar uma rosa. Eu dizia: Não. Pois bem, a sensibilidade não é qualidade que se encontre nos porcos. Eles não entendem e não conseguem admirar a beleza de uma flor.

Entendedores, entenderão.

Por fim, digo que coragem e sensibilidade são dádivas e que triste seria a vida se não aceitasse os desafios que elas significam para nós.

Ter coragem para dizer o que sinto, penso e quero e para aceitar a visão do outro, estando certo, errado, ou nenhuma das alternativas anteriores.

Ter sensibilidade para admirar o belo, o diferente, o verdadeiro. Para saber a hora de calar e de falar, a hora de pensar e de agir.

Entendedores, entenderão.

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