Da arte de ser intensa

Ser intensa é uma arte.

A criatura intensa é capaz de se apaixonar loucamente por uma árvore, se esta estiver no seu caminho na hora e lugar certo. Basta gostar de verde ou do som dos passarinhos que ficam em seus galhos. A árvore pode se tornar o ar que ela respira.

Da mesma forma que pode se tornar um mar de nada se por acaso o verde lhe parecer uma cor enfadonha ou o canto dos pássaros virarem uma rotina.

Para os intensos, a metamorfose é quase que uma necessidade vital. Eles comem, dormem, reproduzem-se e transformam-se. E ai de quem não seguir esse ritmo frenético de mutação, está fadado a não permanência no fantástico mundo da intensidade.

Vejam o caso do meu sobrinho de 7 anos, ele é capaz de dizer que ama segunda feira mais do que qualquer coisa no mundo e minutos depois afirmar que segunda feira é o dia mais odioso da face da terra. Um típico caso de intensidade ligado às alegrias e frustrações do cotidiano.

Mas isso acontece porque esta categoria de ser humano age conforme suas sensações em cada momento e não com uma análise racional e abrangente sobre os fatos.

E então vira um “eu amo”, “eu não amo”, “eu quero”, “eu não quero” que Deus o livre.

Ser intenso é sofrer um fora como se fosse a própria morte ou o primeiro beijo como se fosse o primeiro filho. Exagero?

Sim, ser intenso é ser exagerado.

As palavras que não cabem no dicionário desta categoria são: medo, monotonia e “ir devagar”.

Ah me poupe, que coisa mais chata ir devagar!!!!

About these ads

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s